Impasse com Filipe Luís abre portas para Artur Jorge no Flamengo

Gabriel Silva
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Foto: Site do Flamengo

Muticampeão com o Flamengo em 2025, no qual conquistou Libertadores e Brasileirão, por exemplo, Filipe Luís terá seu contrato com o clube encerrado no final deste mês. 

As negociações para renovar o vínculo com o rubro negro, porém, enfrentam um impasse salarial e a interferência de seu empresário, Jorge Mendes tem gerado tensão entre o clube e o técnico. 

O treinador, que recebia cerca de R$ 300 mil mensais – o menor entre os técnicos da Série A –, agora pede equiparação a valores de Abel Ferreira, do Palmeiras, na faixa de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões, incluindo bônus por títulos. Diante da demora, a diretoria rubro-negra já mapeia alternativas, com o português Artur Jorge, do Al-Rayyan, do Catar, como principal plano B.​

TÉCNICO QUER FICAR, MAS NEGOCIAÇÃO É COMPLICADA

O ex-lateral, ídolo como jogador e agora técnico bem-sucedido, expressou publicamente o desejo de permanecer na Gávea. “Se depender só de mim, estou renovado”, declarou Filipe Luís em entrevista coletiva após o título do Brasileirão, destacando que o calendário apertado com decisões importantes atrasou as conversas com a diretoria.

Apesar do otimismo inicial, a chegada de Jorge Mendes à gestão de sua carreira gerou tensão, com a diretoria rubro-negra irritada pela intromissão do agente português, que elevou as exigências salariais e cláusulas de saída para a Europa. 

O Flamengo ofereceu salário de até R$ 2 milhões, com contrato até 2026 ou 2027 e multa rescisória blindada, mas detalhes como autonomia no departamento de futebol ainda travam o acordo.​

DIRETORIA PRESSIONA E BAP DÁ PRAZO

O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, centralizou as tratativas, tirando-as das mãos do diretor de futebol José Boto, e reforçou a prioridade pela permanência do treinador. 

Em conversa com sócios na Gávea, Bap afirmou: “Nós não vamos passar o Natal sem técnico. Se depender de mim, vai ser o Filipe Luís, mas não depende só de mim”

José Boto, por sua vez, elogiou o preparo do comandante e previu sucesso europeu, mas defendeu mais um ano no clube: “Eu e o Filipe entramos às 8 horas da manhã no Ninho e saímos às 2h. Pode sair a qualquer momento”. 

A diretoria avalia que Filipe Luís moldou o elenco para 2026, com pedidos atendidos como contratações e ajustes na comissão técnica, sinalizando compromisso mútuo.​

ARTUR JORGE COMO PLANO B

Sem acordo iminente, o Flamengo identificou Artur Jorge como substituto ideal. O português, que levou o Botafogo a Brasileirão e Libertadores em 2024 com futebol ofensivo, agrada pela familiaridade com o mercado brasileiro e estilo alinhado à torcida rubro-negra. 

Sua multa rescisória no Al-Rayyan é de 6 milhões de euros, cerca de R$ 39 milhões, valor considerado alto, mas viável em caso de ruptura com Filipe Luís.​

COMENTARISTAS DIVIDIDOS

O jornalista Venê Casagrande, conhecido por bastidores rubro-negros, comentou que Artur Jorge se tornou “plano B” em meio à novela, alertando para o risco de o Flamengo se sentir refém das demandas de Filipe Luís e Jorge Mendes. 

Especialistas acreditam que o ex-técnico do Botafogo garantiria uma continuidade vencedora no Flamengo, mas questionam se o investimento na multa vale mais que ceder aos R$ 2 milhões anuais pedidos pelo atual técnico. 

A torcida, irritada com a demora para a definição, pressiona nas redes sociais, temendo que haja instabilidade no elenco para a disputa do Carioca, Libertadores e Brasileirão de 2026.​​

TERCEIRA OPÇÃO E RISCOS DO IMPASSE

Além de Artur Jorge, a diretoria avalia um leque amplo, incluindo treinadores experientes, jovens em ascensão e ex-jogadores do clube, sem nome específico revelado publicamente. 

Pagar o salário pedido por Filipe Luís equiparia o Flamengo aos gigantes, mas poderia inflacionar o mercado; já Artur Jorge traria frescor, mas com custo imediato de R$ 39 milhões e adaptação ao Catar recente. 

CONCLUSÃO

O cenário ideal para o Flamengo, obviamente, é a renovação o contrato do técnico. Afinal, é grande a química com o elenco e muitos títulos no currículo em 14 meses, com 44 vitórias em 69 jogos.

Porém, o clube se protege contra propostas europeias, já que Filipe Luís não tem licença UEFA para ligas top. Com o presidente Bap otimista, as próximas horas definem se a Gávea terá continuidade ou mudança radical.