CBF e estaduais: reforma, reações e debates dos clubes

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Estaduais no Brasil
Imagem: Divulgação

O calendário do futebol brasileiro para 2026 terá novidades que prometem mudar a tradição do País: os campeonatos estaduais continuarão sendo os primeiros torneios da temporada e começarão já no próximo dia 7 de janeiro, com Ceará e Paraná abrindo a temporada. 

Em seguida, os estaduais mais populares – Mineiro, Paulista e Carioca – começam entre 10 e 14 de janeiro, enquanto o Gauchão estreia no dia 10.

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A principal mudança, porém, é que estes torneios terão duração menor, disputados em datas reduzidas em meio às fases iniciais da Série A do Brasileirão. 

A alteração faz parte da proposta do novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, de reorganizar o calendário nacional de futebol, unificando competições e reduzindo o desgaste físico das equipes.

“A diminuição de 16 para 11 datas dos estaduais está definida e dialogada com federações e clubes”, afirmou Xaud.

O NOVO CALENDÁRIO E AS MUDANÇAS NOS ESTADUAIS

Com a mudança estrutural definida pela CBF, os estaduais deixarão de ser competições que ocorrem antes do início dos campeonatos nacionais para serem disputados simultaneamente às primeiras rodadas da Série A. 

Os torneios que tradicionalmente duravam até mais de dois meses serão agora de “tiro breve”, com máximo de 11 datas entre janeiro e início de março.

A ideia da CBF é que isso reduza a sobrecarga de jogos no início do ano – um problema recorrente para clubes que disputam competições internacionais e nacionais simultaneamente. 

O torneio passa a ser mais compacto, diminuindo a quantidade de datas disponíveis em virtude do novo calendário anual do futebol brasileiro. 

Segundo Samir Xaud, “os Estaduais com 11 datas não vão acabar e são essenciais, mas precisam da reorganização para não prejudicar os times maiores”. 

OS LADOS POSITIVO E HISTÓRICO DOS ESTADUAIS

Para muitos torcedores e dirigentes, os estaduais ainda carregam forte significado cultural e histórico no futebol brasileiro. Competir pelo título do seu estado é uma tradição centenária que, em alguns casos, remonta às origens do esporte no País.

Além da tradição, os estaduais são momentos de projeção para jovens jogadores e de afirmação local de clubes considerados de menor porte. “Para clubes menores, essas competições são absolutamente vitais para a sobrevivência financeira. É aqui que garantimos renda, exposição e possibilidades de disputar torneios nacionais”, afirma João Batista Silva, presidente de um clube do interior de São Paulo.

Clubes de menor porte dependem da receita de bilheteria, patrocínios regionais e visibilidade midiática que os estaduais proporcionam — muitas vezes a única fonte de recursos sólida no ano. 

Sem campeonatos estaduais, muitos desses clubes não teriam calendário competitivo por meses consecutivos, agravando ainda mais sua fragilidade financeira e esportiva.

A VISÃO DOS GRANDES CLUBES: RECLAMAÇÕES E EXPECTATIVAS

Enquanto clubes menores defendem a manutenção das competições estaduais, times tradicionais e grandes clubes brasileiros têm uma visão crítica sobre o modelo atual.

Para eles, os estaduais significam desgaste físico desnecessário no começo da temporada e atrapalham o foco nas competições nacionais e internacionais.

 “Quando acumulamos jogos no início do ano, entramos em um círculo vicioso de lesões e queda de desempenho. Esta redução de datas aumenta nossa capacidade de planejar melhor o ano”, declarou um dirigente de um clube da Série A, que pediu para não ser identificado.

Essa fala ecoa um impulso antigo entre equipes grandes para que os estaduais sejam reformulados ou mesmo reduzidos drasticamente.

As reclamações se intensificam quando os estaduais coincidem com a pré-temporada, deslocando foco de torneios mais lucrativos ou relevantes no cenário nacional e internacional. 

DEBATE ENTRE COMENTARISTAS

Os comentaristas esportivos também têm se dividido. Alguns veem com bons olhos a reformulação do calendário, destacando que os estaduais, tal como eram disputados, “engessam” o calendário nacional e prejudicam confrontos mais relevantes ao longo do ano. 

Outros alertam que uma eventual extinção desses torneios pode “desfigurar” o futebol brasileiro, retirando de estados e torcedores locais um momento de festa e rivalidade histórica.

Em análises recentes, colunistas mencionam que a mudança representa um “afrouxamento do nó” que sufocava o futebol brasileiro, permitindo um Brasileirão mais espaçado e com menos conflitos de datas. 

O QUE ESTÁ EM JOGO: FUTURO DOS ESTADUAIS

O balanço entre os argumentos pró e contra os estaduais mostra um cenário complexo. Para a CBF, a redução de datas e reorganização amplia a competitividade e melhora a qualidade do calendário. 

“É essencial manter essa tradição, mas adaptar-se ao novo futebol global é imperativo. Precisamos cuidar da saúde dos atletas e garantir competições mais relevantes ao longo do ano”, resume o presidente da CBF, Samir Xaud, sobre o novo modelo estadual de 2026.