Nos últimos anos, o Brasileirão passou por mudanças silenciosas, mas profundas. Se compararmos 2023, 2024 e 2025 com o início de 2026, percebemos que o campeonato parece menos dependente do choque físico constante e mais orientado à organização tática.
Na minha avaliação, não é que o Brasileirão tenha deixado de ser intenso — ele continua sendo um dos campeonatos mais físicos do mundo. O que mudou foi a forma como essa intensidade é distribuída dentro do jogo.
A intensidade continua alta — mas mais organizada
O Brasileirão sempre foi marcado por duelos físicos, disputas aéreas e transições rápidas. Porém, o que observo em 2026 é uma intensidade mais coordenada.
Em vez de pressão desorganizada, vemos:
- blocos médios compactos,
- pressão direcionada ao portador da bola,
- menos perseguições individuais longas,
- mais coberturas estruturadas.
Isso indica evolução tática. A intensidade não diminuiu — ela ficou mais estratégica.
O meio-campo ganhou protagonismo técnico
Se analisarmos o perfil das contratações e a estrutura dos principais favoritos, percebemos algo claro: o meio-campo voltou a ser o centro do jogo.
Na nossa leitura, isso é um divisor de águas.
Clubes como Palmeiras e Flamengo reforçaram setores criativos, buscando controle e circulação. Mesmo equipes tradicionalmente mais reativas passaram a valorizar jogadores com melhor tomada de decisão.
Isso se traduz em:
- maior número de passes curtos na construção,
- menos lançamentos diretos,
- mais ocupação entrelinhas.
O Brasileirão parece caminhar para um equilíbrio entre técnica e intensidade.
O jogo ficou menos previsível
Algo que considero importante destacar é a redução da dependência exclusiva de cruzamentos e bolas longas.
Em temporadas anteriores, muitos jogos eram decididos por:
- bola parada,
- escanteios,
- duelos aéreos repetitivos.
Em 2026, ao menos nas primeiras rodadas, vemos mais:
- triangulações curtas,
- infiltrações centrais,
- variações de ritmo.
Isso não significa que o campeonato virou “europeu”. Mas existe, sim, uma sofisticação maior.
Idade média e maturidade tática
Outro ponto relevante é o perfil etário dos elencos. Na minha avaliação, não houve uma onda massiva de juventude extrema. O que ocorreu foi a manutenção de atletas no auge competitivo (24–28 anos), o que favorece maturidade tática.
Isso cria jogos:
- menos caóticos,
- com menos erros não forçados,
- mais decididos por detalhes posicionais.
Então, está mais técnico ou mais físico?
Se eu tivesse que responder objetivamente: está mais equilibrado.
O Brasileirão 2026 não abandonou a intensidade — ela continua presente. Mas a técnica e a organização ganharam espaço. Hoje, para competir no topo, não basta correr mais; é preciso ocupar melhor os espaços e controlar melhor os tempos do jogo.
Na nossa leitura, essa é a principal evolução recente da liga: intensidade com inteligência.
E, se essa tendência se mantiver ao longo das 38 rodadas, podemos estar diante de uma das versões mais taticamente maduras do Brasileirão na última década.