
A chegada de Harry Massis Júnior à presidência do São Paulo Futebol Clube inaugura um dos períodos mais delicados e, ao mesmo tempo, decisivos da história recente do tricolor do Morumbi.
Aos 80 anos, o empresário assume o comando da instituição após o impeachment de Júlio Casares, afastado do cargo em votação expressiva do Conselho Deliberativo: 188 conselheiros votaram a favor do afastamento, 45 foram contrários e dois optaram pelo voto em branco, na reunião realizada na última sexta-feira. O novo mandatário herda um cenário de enormes desafios dentro e fora de campo.
UM CLUBE FRATURADO POLITICAMENTE
Um dos primeiros obstáculos a serem enfrentados por Massis é a profunda fragmentação política nos bastidores do São Paulo.
os últimos anos, o clube viveu uma escalada de disputas internas entre grupos de conselheiros, ex-dirigentes e alas da situação e da oposição, criando um ambiente de instabilidade permanente.
Essa divisão culminou no processo de impeachment de Casares e agora impõe ao novo presidente a missão de reconstruir pontes.
A unificação das forças políticas não é apenas uma questão institucional, mas também estratégica. Sem consenso mínimo, decisões fundamentais, como aprovação de orçamentos, contratos de patrocínio ou renegociações de dívidas, tendem a enfrentar resistência.
Como dizia Telê Santana, um dos maiores ícones da história são-paulina, “ninguém constrói nada sozinho no futebol; é preciso trabalho coletivo e confiança”. A frase, antiga, segue atual e ilustra o tamanho do desafio político que Massis terá pela frente.
RESOLVER A CRISE FINANCEIRA É PRIORIDADE
Se o ambiente político já é complexo, a situação financeira do clube beira o estado de alerta máximo. O São Paulo convive com um endividamento elevado, receitas comprometidas e pouca margem de manobra para investimentos mais ousados. Salários, direitos de imagem e acordos com credores pressionam o fluxo de caixa e exigem uma gestão extremamente rigorosa.
Nesse contexto, a experiência empresarial de Harry Massis Júnior surge como um dos principais trunfos de sua gestão. Com décadas de atuação no mundo corporativo, ele é visto internamente como alguém capaz de implementar controles mais rígidos, renegociar passivos e buscar soluções criativas para aumentar receitas.
Muricy Ramalho, ex-treinador multicampeão pelo São Paulo, costuma repetir uma máxima que dialoga diretamente com esse momento: “No futebol, planejamento não ganha jogo sozinho, mas sem planejamento você perde antes de entrar em campo”. A lógica vale tanto para as quatro linhas quanto para os números do balanço financeiro.
MONTAGEM DO TIME E PRESSÃO
Paralelamente aos ajustes administrativos, Massis precisará lidar com a expectativa da torcida por um time competitivo. A temporada exige respostas rápidas dentro de campo, e a montagem do elenco será observada com lupa. Com recursos limitados, o desafio passa por equilibrar contratações pontuais, valorização da base e manutenção de peças-chave do elenco.
A torcida, historicamente exigente, cobra não apenas resultados, mas também identidade e ambição. Em um cenário de crise, qualquer erro no mercado de transferências pode ter impacto esportivo e financeiro significativo.
A diretoria que começa a ser desenhada por Massis terá papel central nesse processo, especialmente na interlocução entre comissão técnica e departamentos internos.
HERNÁN CRESPO FICA?
Uma das primeiras grandes decisões esportivas da nova gestão envolve o futuro do técnico Hernán Crespo.
O argentino é bem avaliado por parte da torcida e do elenco, mas sua permanência para o Campeonato Paulista e a Série A do Brasileirão depende de alinhamento com o projeto da nova diretoria.
O próprio Massis já sinalizou que pretende ouvir o treinador antes de qualquer definição. A continuidade pode representar estabilidade em meio ao caos institucional, enquanto uma eventual troca significaria mais uma ruptura em um clube que já sofreu demais com descontinuidades recentes.
Crespo, em declaração feita no passado sobre o São Paulo, afirmou que “este é um clube que exige respeito à sua história e coragem para decidir”..
A FORMAÇÃO DE UMA NOVA DIRETORIA
Ciente da complexidade do cenário, Harry Massis Júnior já iniciou conversas para a formação de uma diretoria que una experiência técnica e trânsito político.
A escolha dos nomes será determinante para o sucesso – ou fracasso – de sua gestão. Mais do que aliados pessoais, o presidente precisará de quadros capazes de dialogar com diferentes correntes internas e com o mercado.
A expectativa é que a nova equipe traga um discurso mais técnico e menos ideológico, focado em resultados concretos.
CONCLUSÃO
A presidência de Harry Massis Júnior começa sob pressão intensa, mas também com a chance de reposicionar o São Paulo em bases mais sólidas.
A combinação de crise financeira, instabilidade política e cobrança esportiva forma um cenário desafiador, porém não inédito na história do clube.
Se conseguir pacificar os bastidores, organizar as finanças e oferecer condições mínimas para um projeto esportivo consistente, Massis poderá deixar um legado relevante.



























