
A final da Africa Cup of Nations entre Senegal e Marrocos, disputada no último dia 18, entrou para a história, mas não somente pelo título conquistado pelos senegaleses, agora bicampeões do continente africano.
O jogo, realizado no Prince Moulay Abdellah Stadium, em Rabat, foi marcado por cenas lamentáveis, que geraram um debate sobre disciplina, arbitragem e a própria cultura esportiva no futebol naquele continente.
O RESULTADO
Senegal venceu por 1 x 0 na prorrogação, com gol de Pape Gueye, mas a maneira com que o resultado foi obtido e os episódios que precederam o desfecho dominaram o noticiário esportivo mundial.
O caos começou no fim do tempo regulamentar, quando, em uma sequência de decisões controversas da arbitragem, um gol senegalês foi anulado e um pênalti foi concedido ao Marrocos depois de revisão de VAR. O sentimento de injustiça explodiu em protestos e provocou uma reação que não era vista há muito tempo em uma final continental.
DECISÃO POLÊMICA E O PROTESTO
A partida estava empatada por 0 x 0 quando o árbitro Jean-Jacques Ndala Ngambo resolveu anular um gol legítimo de Senegal após consulta ao VAR, uma decisão que já havia gerado grande reação da equipe visitante no banco e nas arquibancadas. Poucos minutos depois, ainda nos acréscimos, um pênalti foi marcado a favor de Marrocos, o que intensificou a frustração senegalesa.
Em um ato sem precedentes recente no futebol africano, o técnico de Senegal, Pape Thiaw, ordenou que seus jogadores deixassem o campo em protesto, numa tentativa de interromper o jogo e evitar que o pênalti fosse cobrado — o que poderia decidir o título. A decisão parou o jogo por cerca de 15 a 20 minutos, colocando árbitros, oficiais da CAF e espectadores em uma situação de impasse.
MANÉ
O capitão senegalês Sadio Mané desempenhou um papel crucial na resolução da crise imediata. Ao invés de seguir com o grupo no protesto, ele permaneceu em campo e, segundo relatos, convencendo seus companheiros a retornar ao gramado para permitir que a partida continuasse.
Sua atitude foi descrita por alguns analistas como um ato de liderança e senso de responsabilidade esportiva, embora não tenha diminuído a crítica às decisões de arbitragem.
POSIÇÃO DA FIFA: CONDENAÇÃO E RISCO DE SANÇÕES
A cena chamou a atenção da hierarquia máxima do futebol mundial. Em Rabat no dia seguinte à final, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, emitiu uma declaração pública dura sobre os eventos.
“Nós fortemente condenamos o comportamento de alguns torcedores, bem como o de alguns jogadores e membros da equipe técnica senegalesa. É inaceitável abandonar o campo dessa maneira, e igualmente violência não pode ser tolerada em nosso esporte”, disse Infantino em comunicado enviado à imprensa internacional, reforçando que os episódios “devem ser condenados e nunca repetidos”.
OLHAR SOBRE A DISCIPLINA
A Confederação Africana de Futebol (CAF) também se manifestou oficialmente, declarando que considerava “comportamento inaceitável o de alguns jogadores e oficiais durante a final da AFCON” e que todas as imagens seriam analisadas para que os responsáveis fossem levados às instâncias disciplinares competentes. A entidade reafirmou que não tolerará condutas inadequadas dirigidas à equipe de arbitragem ou à organização da partida.
Ainda não está claro quais serão as sanções específicas, nem se estas influenciarão apenas competições continentais ou também o próximo Mundial de 2026, no qual Senegal está classificado e jogará contra grandes seleções como França e Noruega na primeira fase. Autoridades da CAF devem anunciar as medidas nos próximos dias.
REAÇÕES DENTRO E FORA DO CAMPO
As repercussões foram imediatas. O técnico de Marrocos, Walid Regragui, chamou a imagem dada do futebol africano naquela final de “vergonhosa” e lamentou que eventos como esse possam prejudicar a reputação do continente no cenário global.
Entre torcedores e especialistas, as opiniões variam desde apoio à reação emocional dos jogadores de Senegal – compreendendo a frustração diante do que muitos consideraram um erro arbitral grave – até críticas veementes sobre a necessidade de manter disciplina e respeito pelas normas do futebol profissional.
Em ambientes online e fóruns de futebol, muitos torcedores destacaram que tais episódios “mancham a imagem do esporte” ou, ao contrário, mostram a paixão e a intensidade cultural pelo futebol no continente.
UMA DISCUSSÃO QUE VAI ALÉM DO JOGO
O episódio desencadeou uma reflexão maior sobre a cultura esportiva no futebol africano e a necessidade de reforçar a educação ética e disciplina entre jogadores, técnicos e torcedores.
Especialistas sugerem que a CAF e os clubes devem investir não apenas em desenvolvimento técnico, mas também em formação de liderança, gestão de conflitos e respeito às regras do jogo.
CONCLUSÃO
Enquanto isso, o futebol africano encara um momento de inflexão: com equipes cada vez mais competitivas em nível mundial, a expectativa é que o continente possa apresentar futebol emocionante sem episódios que comprometam sua credibilidade.
Para que isso se concretize, porém, a resposta institucional à crise disciplinar será tão importante quanto os próximos confrontos dentro das quatro linhas.

























