
Xabi Alonso chegou ao Real Madrid há sete meses, após comandar o Bayer Leverkusen a uma campanha histórica: título invicto da Bundesliga, Copa da Alemanha e Supercopa Alemã.
Ex-jogador e ídolo merengue, com passagens vitoriosas pelo clube entre 2009 e 2014, o técnico basco era visto como o nome perfeito para suceder Carlo Ancelotti e resgatar a hegemonia branca.
No entanto, sua passagem pelo Santiago Bernabéu durou pouco e terminou de forma abrupta, marcada por resultados irregulares e tensões internas.
DERROTA PESOU
O Real Madrid anunciou a saída de Alonso um dia após a derrota por 3 x 2 para o Barcelona na final da Supercopa da Espanha, em Jidá. Em 34 jogos, ele somou 24 vitórias, quatro empates e seis derrotas, com aproveitamento de 74,5%, mas o time ocupava a segunda posição no Espanhol, quatro pontos atrás do líder catalão.
A decisão foi tomada “por comum acordo”, conforme comunicado oficial do clube, que exaltou Alonso como “lenda do Real Madrid” e garantiu que “sempre será sua casa”. Mas o que levou à saída do técnico? Os brasileiros do Real influenciaram a decisão?
PROBLEMAS DE VESTIÁRIO
Um dos principais “calos” da gestão de Alonso no clube merengue foram os problemas de relacionamento no elenco, especialmente com os brasileiros Rodrygo, Vinícius Júnior e Éder Militão.
Havia muita insatisfação com a condução do dia a dia, intervenções excessivas na rotina do grupo e decisões táticas questionadas. No caso de Vinícius Júnior, um episódio emblemático ocorreu em um clássico contra o Barcelona pela La Liga, quando o atacante saiu irritado após ser substituído, gerando crise pública.
FRUSTRAÇÃO
Rodrygo, por sua vez, expressou frustração com as poucas oportunidades. Em entrevista concedida em novembro de 2025, o atacante foi sincero:
“Não tem muito o que fazer, tenho que continuar trabalhando, me dedicando e tentar buscar a confiança do treinador de lá (Xabi Alonso)”.
Já Militão, apesar de elogiado inicialmente pela imprensa espanhola como “uma das melhores notícias para Xabi Alonso” após retorno de lesões, integrou o grupo que estranhou os métodos do técnico.
Alonso tentou minimizar tensões publicamente. Após o incidente com Vinícius, ele declarou em coletiva:
“Fico com muitas coisas positivas da partida, e muitas coisas do Vini também. Nós falaremos sobre isso, é claro, mas não quero perder o foco do que é realmente importante”.
INDEFINIÇÃO TÁTICA E DERROTAS DECISIVAS
Além dos conflitos internos, Alonso não conseguiu acertar o time ideal, com indefinição tática e sequência negativa entre novembro e dezembro de 2025.
Eliminações como a goleada para o PSG no Mundial de Clubes e a derrota por 5 x 2 para o Atlético de Madrid no primeiro clássico abalaram sua credibilidade.
A imprensa espanhola, na ocasião, destacou que o Real não apresentava “futebol refinado nem confiança”, agravado por lesões.
A gota d’água veio na final da Supercopa, com o Barcelona explorando falhas defensivas. Fontes próximas à diretoria revelam que presidente Florentino Pérez nunca deu apoio incondicional a Alonso, vendo insatisfação desde antes da pausa de fim de ano. O clube, então, optou por uma mudança rápida, priorizando a estabilidade.
ARBELOA ASSUME: UMA APOSTA INTERNA
Álvaro Arbeloa, ex-lateral do Real Madrid entre 2009 e 2016, foi anunciado como substituto imediato. Treinador do Real Castilla desde junho de 2025, ele construiu carreira na base merengue desde 2020, conquistando títulos como o Triplete no Juvenil A em 2022/23.
A escolha por Arbeloa reflete a estratégia de promover internos, em meio a “choque” e “perplexidade” no elenco, segundo jornalistas espanhóis. Na Itália, a impresna viu a medida como “desesperada” e “arriscada”.
IMPACTOS IMEDIATOS E LEGADO AMARGO
A saída de Alonso deixa o Real em momento delicado, com vice-liderança no Espanhol e necessidade de reação na Champions.
Os brasileiros, peças-chave do elenco, podem se beneficiar de um ambiente menos tenso sob Arbeloa, mas o silêncio de astros como Vinícius e Rodrygo sobre a demissão chamou a atenção da imprensa.
O legado de Alonso é ambíguo: herói como jogador, mas treinador que não repetiu o sucesso de Leverkusen.
CONCLUSÃO
Florentino Pérez, presidente d Real Madrid, quer resgatar a mística branca, mas a torcida questiona se a troca resolve os males crônicos. O futuro depende de Arbeloa unir o grupo e entregar resultados rápidos.
























