Após quatro rodadas do Brasileirão 2026, o topo começa a ganhar forma, mas é na parte inferior da tabela que os sinais de alerta aparecem primeiro. Na nossa avaliação, a disputa contra o rebaixamento já deixou de ser projeção teórica e começa a ganhar contornos estatísticos.
Os números da parte de baixo após 4 rodadas
Situação atual dos últimos colocados:
- Santos – 1 ponto, 4 gols marcados, 7 sofridos
- Internacional – 1 ponto, 2 gols marcados, 5 sofridos
- Vasco – 1 ponto, 2 gols marcados, 4 sofridos
- Cruzeiro – 1 ponto, 3 gols marcados, 8 sofridos
O Cruzeiro tem a pior defesa entre os quatro, com média de 2 gols sofridos por jogo. Em campeonatos recentes, equipes que terminaram rebaixadas geralmente apresentavam média superior a 1,7 gol sofrido por partida — o que coloca o início celeste dentro de um padrão estatisticamente preocupante.
Santos e Vasco enfrentam problema oposto: produção ofensiva baixa. Ambos têm média inferior a 1 gol por jogo. Historicamente, times que terminam o Brasileirão com menos de 45 gols marcados costumam brigar até o fim contra o descenso.
Comparação com inícios de 2024 e 2025
Se compararmos com as últimas duas edições:
- Em 2024, duas das quatro equipes rebaixadas tinham no máximo 2 pontos após 4 rodadas.
- Em 2025, três clubes que começaram com menos de 3 pontos nas primeiras quatro partidas terminaram a temporada abaixo da 16ª posição.
Não é determinante, mas é um padrão. O início ruim aumenta significativamente a probabilidade de passar o campeonato inteiro reagindo, e não construindo.
Dados de desempenho (tendência xG e solidez defensiva)
Mesmo sem números oficiais consolidados de xG público rodada a rodada, a tendência observável é clara:
- Cruzeiro concede muitas finalizações em zona central.
- Internacional produz mais do que converte, o que sugere possível recuperação estatística.
- Vasco tem baixo volume ofensivo total.
- Santos alterna bons momentos com quedas abruptas de intensidade.
Na nossa leitura, Internacional é o que apresenta melhor “base estrutural” para reação. Cruzeiro é o que mais depende de ajuste defensivo imediato.
Projeção matemática e média histórica de permanência
A média histórica para escapar do rebaixamento gira entre 43 e 45 pontos.
Com 1 ponto em 4 jogos (0,25 por partida), a projeção linear levaria a menos de 10 pontos ao final do campeonato — cenário obviamente irreal, mas que evidencia a urgência.
Para atingir 44 pontos, essas equipes precisariam agora de média próxima a 1,4 ponto por jogo até o fim da temporada. Isso exige mudança de desempenho quase imediata.
Pressão estrutural e fator psicológico
Existe ainda o componente emocional. Clubes como Santos, Vasco e Cruzeiro carregam peso histórico e ambiente de cobrança intensa. A permanência prolongada na parte de baixo altera decisões técnicas e acelera crises internas.
Na nossa opinião, a primeira vitória desses clubes será mais simbólica do que matemática. Ela redefine narrativa e reduz pressão.
Ainda é cedo para decretar favoritos ao rebaixamento, mas já é possível afirmar: quem não reagir até a 6ª rodada entrará em zona estatisticamente perigosa.
