
A última década do Vasco da Gama tem sido marcada por frustrações sucessivas, promessas não cumpridas e uma dolorosa distância entre o passado glorioso e o presente instável. Desde a conquista do Campeonato Carioca em 2016, o clube não voltou a levantar uma taça sequer.
Se o recorte for ainda mais rigoroso, o último troféu de real expressão nacional foi a Copa do Brasil de 2011. Desde então, o cruzmaltino coleciona campanhas irregulares, rebaixamentos, retornos dramáticos e, sobretudo, a sensação permanente de que o sofrimento virou rotina.
Em 2025, porém, o roteiro esteve perto de mudar. Mesmo após mais um Brasileirão desastroso, com goleadas sofridas, troca de treinadores e a ameaça concreta de um novo rebaixamento até as rodadas finais, o Vasco encontrou na Copa do Brasil uma espécie de refúgio emocional.
UM BRASILEIRÃO PARA ESQUECER
No Campeonato Brasileiro, o Vasco repetiu velhos erros. Defesa vulnerável, elenco curto e dificuldades para reagir fora de casa resultaram em uma campanha sofrível.
As derrotas elásticas reacenderam críticas à diretoria pela montagem de um elenco fraco, além de questionamentos sobre o modelo de gestão. Em São Januário, a paciência da torcida se esgotava rodada após rodada.
O técnico Fernando Diniz, contratado no meio da temporada para tentar reorganizar o time, reconheceu os problemas, mas também destacou a resiliência do grupo.
“O Brasileirão expôs nossas limitações, mas também mostrou que o elenco não se entrega. O Vasco vive um processo duro de reconstrução, e isso não se faz sem sofrimento”, afirmou o treinador após a última rodada.
COPA DO BRASIL COMO REDENÇÃO
Foi justamente na Copa do Brasil que o Vasco reencontrou sua identidade histórica. Nos mata-matas, o time mostrou competitividade, concentração defensiva e frieza nas decisões.
Contra Botafogo e Fluminense, dois de seus maiores rivais no Estado do Rio, o Cruzmaltino sobreviveu graças à entrega coletiva e à eficiência nas cobranças de pênaltis.
A classificação para a final reacendeu uma chama quase apagada. Para muitos torcedores, sobretudo os mais jovens, era uma experiência inédita.
O Maracanã voltou a ser tomado por camisas cruzmaltinas, bandeiras e lágrimas de esperança. Havia, nas arquibancadas, crianças que jamais tinham visto o Vasco levantar um troféu.
A FINAL QUE ESCAPOU ENTRE OS DEDOS
O primeiro jogo da decisão, na Neo Química Arena, aumentou ainda mais a confiança. O Vasco dominou o Corinthians em diversos momentos, controlou a posse de bola e criou as melhores chances, mas não conseguiu balançar as redes.
O 0 x 0 no placar na capital paulista foi recebido com sentimentos mistos: orgulho pelo desempenho, mas decepção por não ter conseguido abrir o marcador.
No jogo de volta, um Maracanã lotado parecia prenunciar o fim da longa espera. O ambiente era de catarse coletiva.
No entanto, dentro de campo, a história se repetiu de forma cruel. O Corinthians foi mais eficiente, venceu por 2 x 1 e silenciou o estádio. Mais uma vez, o título escapava.
O lateral Paulo Henrique resumiu o sentimento do elenco ao final da partida. “Dói muito, porque a gente sentiu que estava perto. Lutamos até o fim, mas detalhes decidiram. O Vasco merecia esse título pelo que a torcida fez”, declarou o jogador, visivelmente abatido.
POR QUE O TÍTULO NÃO VEIO?
A derrota na final escancarou problemas estruturais que acompanham o clube há anos. Falta de elenco equilibrado, dependência excessiva de poucos jogadores e dificuldades financeiras que limitam investimentos pesaram nos momentos decisivos.
Além disso, o desgaste acumulado por uma temporada inteira lutando contra o rebaixamento cobrou seu preço físico e emocional.
CONTRASTE
O contraste com a história do clube é inevitável. O Vasco já conquistou quatro Campeonatos Brasileiros, uma Libertadores, uma Copa Mercosul e construiu uma identidade internacional respeitada.
A repetição de crises políticas, mudanças de comando e projetos interrompidos, porém, minou a capacidade do Vasco de competir em alto nível de forma consistente.
EXPECTATIVAS PARA 2026
Apesar de mais uma decepção, a final da Copa do Brasil deixa lições e também alguma esperança. A base do elenco é jovem, o clube voltou a disputar decisões e a torcida, mesmo machucada, segue presente.
Fernando Diniz aposta no aprendizado. “Se soubermos tirar lições dessa final, o Vasco pode transformar a dor em crescimento. O desafio é fazer isso durar”, afirmou o treinador.
Para 2026, o grande desafio será transformar esforço em organização, raça em estratégia e passado em referência, não em peso.
O fim da sina depende menos de noites heroicas e mais de um projeto sólido. Até lá, o Gigante da Colina segue na fila.




















